O tempo é responsável pelo aprimoramento e melhor desenvolvimento dos equipamentos em geral. O mesmo acontece na aquariofilia onde equipamentos vem sendo melhorados para uma melhor eficácia e rendimento. Um desses aparelhos de grande importância para cativeiros marinhos é o conhecido popularmente como “skimmer”. A utilização deste aparelho para diversas finalidades, visando o trabalho com animais marinhos, é utilizado desde os anos 60 nos Estados Unidos.

Naquele tempo, este tratamento se referia na dispersão de bolhas de ar, acumulo de bolhas ou escumador de proteínas. Pequenas bolhas de ar são introduzidas dentro de um tubo, no qual contém a água a ser tratada. Com o surgimento das bolhas, uma película de superfície ativa, micro particulada e substancias orgânicas dissolvidas são formadas na interface da água e ar. Quando as bolhas alcançam a superfície e estouram, esta película é arremessada na coluna do tubo onde vão se acumulando até possuir uma alta densidade para ser continuamente carregadas para uma descarga, esgotando o excesso de material orgânico e inorgânico. Spotte (1970) e Kinne (1976) promoveram diagramas muito úteis de separadores de proteínas. Enquanto a separação das bolhas era usada para promover a qualidade da água em sistemas fechados (Short e Olson, 1970; Zillioux e Lackie, 1970), alguns usavam para tratar água natural marinha para os primeiros estágios de larvas de ostras.

A configuração de um skimmer experimental usado nos laboratórios de Conwy, uma modificação do designe de Wallace e Wilson (1969) para permitir um tratamento do fluxo de água marinha contínua esta representado no figura 1. Água salgada é adicionada a 2/3 da coluna à cerca de 50 cm de altura, em 7 cm de diâmetro do tubo com uma vazão de 180 ml/min. A água era tratada por injeção de ar por um compressor à 1 L/min (pressão de 25Kg/cm2) em tubo de 1 cm de diâmetro, passando por uma grade de 3 discos filtrantes com 20 a 30 m na base da coluna. A altura da descarga de água tratada era ajustada para permitir uma saída de 160 ml/min. Estes cálculos nos dão um tratamento de 1600 ml de água sendo tratada no tubo a cada 9 min. A eficiência de um skimmer depende do tamanho das bolhas e pelo tempo de contato entre a água e o ar. A dispersão de um dado volume de ar com bolhas pequenas promove uma grande área de contato para a atração das substancias com superfícies ativas do que o mesmo volume de água sendo tratada com bolhas grandes. No entanto, um cano aberto como entrada de ar é menos eficiente do que uma pedra porosa ou outro material sintético que produz uma porosidade nominal em torno de 20 micra. O tempo de contato de ar e água é promovido com a construção de tubos altos ou largos. Este critério é mais importante quando são considerados uma passagem simples ou contínua pelo skimmer ao invés de um sistema de recirculação por onde a água será tratada por várias vezes.

O skimmer também pode ser um excelente método e meio para a oxigenação da água ou mesmo para a troca do excesso de gases dissolvidos como o oxigênio e o dióxido de carbono. Com a mistura de ozônio, o tratamento irá oxidar substâncias orgânicas, potencialmente metabólitos tóxicos (Ex.: Nitrito e amônia) e também irá controlar o crescimento de microorganismos.

Figura 1.: Diagrama de um skimmer baseado no modelo de Wallace e Wilson (1969) para o tratamento do fluxo de água contínuo.

Hoje sabemos da necessidade de um skimmer para um sistema marinho fechado. Grandes porções de proteínas são acumuladas nos aquários provindas de materiais orgânicos perdidos e também do metabolismo de animais e algas. Essas proteínas devem ser removidas ou decompostas por bactérias. Sabemos que um grande acumulo e desenvolvimento de bactérias podem decompor essas proteínas em um processo denominado ciclo do nitrogênio. A nitrificação, primeiro processo antes da denitrificação, é mais rápido, porém ocorre a formação de outros compostos como o nitrato o qual somente pode ser removido biologicamente com a denitrificação onde torna-se um processo lento. No entanto, um skimmer facilitaria o trabalho dessas bactérias removendo uma grande quantidade de proteínas.

A discussões quanto ao uso de skimmer estão cada vez mais acentuadas. O skimmer além de remover os dejetos indesejáveis, remove também grande parte de substâncias benéficas. Não se sabe ao certo uma comparação de substâncias “ruins” ou “boas” em relação a quantidade em números de dejetos retirados, mas podemos afirmar que a utilização do aparelho não traz nenhuma desvantagem e sim a melhora de todo o sistema.
Para o funcionamento destes aparelhos, é necessário que a água tenha uma boa condutividade sendo eletricamente carregada, sendo assim sua utilização não é possível em água de gravidade específica menor que 15 ppm.

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