Coletar peixes do aquário e da natureza sempre irá envolver em algum exercício para o animal relacionado com seus músculos de natação. Um peixe coletado por uma rede de arrasto, rede de espera ou mesmo um anzol fica extremamente exausto em níveis considerados até finalmente ser colocado em um aquário. O debater dos peixes na própria rede ou mesmo nas paredes dos tanques pode deixar sérias lesões na pele e barbatanas. Em experimentos já foram observadas lesões causadas por redes na pele, lesões musculares e até rompimento ou danos em órgãos internos.

Exaustão Física e Ácido láctico

Muitos não fazem idéia em quanto tempo o peixe pode ficar exausto e quanto leva para se recuperar. A maioria dos peixes tem uma substância proporcional ao seu corpo e peso como os músculos brancos anaeróbios. Quando este músculo é utilizado, uma substância de glicogênio é armazenada no músculo e rapidamente se converte em ácido láctico, o qual, sem oxigênio, libera energia para uma situação de perigo. Metade do glicogênio armazenado no músculo se transforma em ácido láctico em 2 mim com uma ativa natação evasiva. Uma vez em que o glicogênio estocado no músculo anaeróbio é convertido em ácido láctico, o peixe deve esforçar-se em encontrar um refúgio por mais de 24 h enquanto o glicogênio estocado é recolocado. Estes músculos brancos anaeróbios são normalmente utilizados para reações de escapadas e outros tipos de explosão muscular. Em prática, o peixe exausto é facilmente pego e transportado.

A maioria dos peixes tem 3% de seu peso corpóreo constituído de vasos de circulação sangüínea enquanto 30% consiste de músculos brancos. Se todo o ácido láctico for transferido dos músculos durante a natação ativa para a corrente sangüínea, níveis muito altos de ácidos lácticos iram se desenvolver. Em geral, peixes não possuem a capacidade de utilização de grandes reservas de ácidos para a utilização em outras reações aeróbicas, só os mamíferos podem realizar tal ação. Existem algumas reações para o benefício do peixe afetado; uma grande parte de lactato pode ser usada para refazer o glicogênio sem deixar as células do próprio músculo. A adrenalina descarregada na corrente sangüínea causa capilaridade no músculo branco fazendo com que o mesmo aumente de tamanho, ainda que o lactato é ativado pelas células do músculo. No entanto, qualquer enfraquecimento do metabolismo ativo das células do músculo, possivelmente irá causar uma reação de estresse durante a captura, fazendo com que o lactato passe para o sangue acelerando o risco de morte. Foram descritos casos em que uma grande produção desses ácidos teve efeitos letais pela mesma razão.

Isto pode parecer razoável que o uso do músculo anaeróbio pode causar sua própria morte. É importante notar que, quando um peixe esta em repouso e repentinamente usa movimentos bruscos, ele irá usar o estoque de glicogênio do músculo deixando uma lagoa de lactato no músculo. Este acumulo de lactato gera uma grande demanda de oxigênio e constitui em perigo se houver um enfraquecimento do metabolismo em geral.

De modo geral e simplificado, um peixe pode desenvolver uma “câimbra” nos músculos devido ao ácido láctico produzido, após esta câimbra estes ácidos podem ir para a corrente sangüínea do peixe fazendo com que o pH abaixe (acidose) e leve o peixe à morte. Já foram observados casos de peixes recém chegos ao aquário em que os mesmos entram em choque por algum estimulo e passam a se movimentar sem parar. Após alguns instantes este peixe geralmente vai ao fundo do aquário e fica em uma posição na qual suas nadadeiras ficam totalmente abertas sendo alguns peixes com corpo levemente retorcido. Este é um caso de “câimbra” que pode desenvolver uma acidose sanguínea.

Um tratamento desenvolvido na ATOL – Water Life sugere que o peixe neste estado seja transferido para um recipiente com pouca luminosidade, volume conhecido e com oxigenação. Após este procedimento sugere-se a adição de Bicarbonato de sódio em uma proporção de uma colher de chá para cada 5 litros de água por um período de 20 minutos. Retorne o peixe para o aquário com o máximo de cautela evitando qualquer tipo de distúrbio como luz direta.

Bibliografia consultada:

A. D. Hawkins – AQUARIUM SYSTEMS. 1981. Academic Press.

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